A preparação
do próximo Congresso Mundial desenrola-se num contexto marcado
por uma combinação sem precedentes de uma crise
económica global e de uma crise ecológica à
escala planetária. Este é um ponto de viragem
importante. Esta crise dual demonstra o falhanço do sistema
capitalista e coloca na agenda a reorganização e
reconstrução de um movimento de trabalhadores
anti-capitalista. Lê aqui a resolução preliminar para ao 16º Congresso da IV Internacional.
16º Congresso
Mundial da Quarta Internacional
Papel e Tarefas
da Quarta Internacional
Resolução
preliminar do Comité Internacional
A preparação
do próximo Congresso Mundial desenrola-se num contexto marcado
por uma combinação sem precedentes de uma crise
económica global e de uma crise ecológica à
escala planetária. Este é um ponto de viragem
importante. Esta crise dual demonstra o falhanço do sistema
capitalista e coloca na agenda a reorganização e
reconstrução de um movimento de trabalhadores
anti-capitalista.
1. Os ataques
sociais e económicos bem como as contra-reformas neoliberais
contra as classes populares irão aumentar. Surgirão
mais guerras e conflitos. Catástrofes ecológicas
afectarão milhões de pessoas. Um novo período
histórico está no horizonte. A emergência de
novas forças capitalistas como a China, Rússia, índia
e Brasil começa a dar forma a novas relações de
forças entre as potências imperialistas na economia e
politica mundial. A combinação do enfraquecimento da
hegemonia dos Estados Unidos e o agudizar da competição
inter-imperialista entre a Europa, Rússia, Ásia e EUA
gera também efeitos geo-estratégicos em novas
configurações politicas e militares, com um papel
crescente da NATO e novas tensões internacionais. Em anos
recentes, o imperialismo Norte-americano compensou o seu
enfraquecimento económico com a reorganização da
sua hegemonia militar nos quatro cantos do planeta. As contradições
sociais e económicas conduziram mesmo à desacreditação
no interior dos EUA da equipa Republicana à volta de G.W.
Bush. A eleição de Obama constituiu uma resposta a este
descrédito como uma solução alternativa para o
imperialismo norte-americano, apesar de esta eleição
corresponder também a um desejo de mudança por parte de
um sector da sociedade americana, que virá a ser desapontado,
mas que é real.
Em conclusão,
esta crise torna óbvio o falhanço da ideologia
neoliberal, incapaz de oferecer uma solução. Todas as
contradições inerentes a este sistema social acabarão
por explodir sem que a social-democracia e o centro esquerda sejam
capazes de oferecer uma resposta adequada. Nem mesmo as medidas
neo-keynesianas, que em todo o caso não foram adoptadas, serão
suficientes para resolver a crise.
2. A resistência
social à escala mundial continua a aumentar embora de forma
muito desigual e mantendo-se ainda na defensiva. O movimento
anti-globalização perdeu a dinâmica que tinha
tido até 2004. O Fórum Social Mundial de Belém
mostra, no entanto, a necessidade e a possibilidade de realização
de convergências internacionais, num quadro /contexto em que as
lutas são mais fragmentadas e dispersas.
Em certos países
europeus - França, Grécia, Alemanha, Polónia,
Itália - as lutas sociais têm um impacto central na
cena política, mas não são suficientes para
bloquear ou inverter as tendências subjacentes à
ofensiva capitalista nemos efeitos da crise. Não foram bem
sucedidas na tentativa de superar o processo de divisão e
fragmentação dos trabalhadores. Estas lutas permanecem
defensivas. Não encontraram ainda uma expressão em
termos de consciência anti-capitalista. Neste contexto, na
ausência de uma esquerda anti-capitalista, as alternativas
reaccionárias, ou mesmo xenófobas e racistas, podem se
tornar mais fortes. &&&
No
Médio Oriente, na Palestina, no Iraque e no Líbano, os
povos continuar a resistir à agressão e ocupação
Ocidental e Israelita. A agressão criminosa perpetrada pelo
governo Sionista em Gaza, dois anos após o Líbano, não
foi capaz de derrotar a resistência. Apesar de o Hamas e o
Hezbollah serem actualmente os principais referenciais políticos
desta resistência, existem sectores que situam a sua acção
num contexto não só de libertação
nacional mas também de libertação social.
A
América Latina continua a ser o continente com uma das
situações sociais mais explosivas, apesar de ter sido
desigual e limitada em países como a Argentina e o Brasil. Foi
aqui que surgiram experiências de ruptura parcial com o
imperialismo, em particular na Venezuela, Bolívia, Equador e
Paraguai.
O
vendaval da globalização tem conduzido, num conjunto de
países capitalistas emergentes, ou resultantes da restauração
capitalista - China, Índia, Rússia ou o antigo bloco de
leste - à proletarização de centenas de
milhões de seres humanos. Mas este novo poder social, que pode
jogar um papel importante nos próximos anos, não
constituiu ainda organizações independentes de massas -
sindicatos, associações e organizações
políticas capazes de enfrentar o desafio desta reorganização
global.
A
pilhagem de recursos em Africa, para benefício das grandes
multinacionais capitalistas, tem aumentado com a cumplicidade dos
governos existentes. O crescimento continuado do PIB subsariano ao
longo dos últimos anos não tem beneficiado as
populações, apenas a desigualdade social tem crescido.
Face à deterioração das condições
de vida, têm-se verificado lutas sociais importantes, como é
o caso das greves gerais na Guiné, as manifestações
no Togo, a greve geral do sector público na África do
Sul. A crise alimentar no fim de 2008 esteve na origem de muitas
manifestações. No entanto, a ausência de uma
alternativa politica constitui um obstáculo importante para o
sucesso dessas lutas, como é o caso da Guiné e dos
Camarões. Estas são canalizadas ou para formações
políticas burguesas como em Madagáscar, ou perdem-se em
becos sem saída religiosos como na Nigéria e República
Democrática do Congo, ou ainda pior, em disputas étnicas
e racistas como no caso do Quénia e da África do Sul.
A construção
de organizações democráticas dos povos e dos
trabalhadores continua a ser uma absoluta necessidade para o sucesso
das lutas.
Os
efeitos combinados de longo prazo resultantes da desintegração
do bloco Soviético e da globalização financeira
continuam a ser sentidos na Ásia: centros de guerras
(Afeganistão, Sri Lanka, Ilha de Mindanao nas Filipinas),
zonas de confronto internacional (Coreia, Paquistão, Índia),
desafio para o anterior equilíbrio de forças
geoestratégico (Sudeste Asiático, China, Japão),
redução de espaços democráticos
previamente conquistados (Tailândia, Filipinas, Indonésia...).
Estes
desequilíbrios são actualmente acentuados pela crise
económica e alimentar, que impele no sentido de uma cada vez
maior coordenação regional e de maior convergência
de resposta social por parte dos movimentos sociais em diferentes
campos: anti-guerra e anti-nuclear, contra a divida externa e pela
soberania alimentar, na defesa de direitos sociais e ecológicos...
3. A dinâmica
da globalização capitalista e da corrente crise
transformou também o quadro de evolução e
desenvolvimento da esquerda tradicional. A margem de manobra das
burocracias reformistas reduziu-se consideravelmente. Do reformismo
sem reformas ao reformismo com contra-reformas, a social-democracia e
forças equivalentes num conjunto de países dominados ou
em via de desenvolvimento estão a evoluir no sentido do
social-liberalismo; ou seja, essas forças estão a
assumir directamente políticas neo-liberais ou
neo-conservadoras. Todas as forças ligadas política ou
institucionalmente ao social liberalismo ou ao centro esquerda estão
a ser arrastadas, em maior ou menor grau, para essas mudanças
qualitativas no movimento dos trabalhadores e são incapazes de
formular um plano de saída para a crise. Além do mais,
estamos a assistir a politicas, tais como as do governo Lula no
Brasil, que estão a agravar a crise ecológica.
Os partidos
comunistas tradicionais continuam o seu longo declínio. Eles
tentam romper com este declínio agarrando-se às caudas
dos casacos das forças dirigentes da esquerda liberal e seus
aparelhos institucionais, ou refugiando-se em posições
nostálgicas e auto-proclamatórias. Apesar de existirem
sectores e correntes que desejam construir os movimentos sociais com
forças anti-capitalistas, como é o caso do Synaspismos
na Grécia, estão condenados a contradições
e divisões decorrentes da sua natureza reformista. A
combinação das resistências sociais com a
evolução dos aparelhos da esquerda tradicional abre um
novo espaço para a esquerda radical e coloca na agenda a
reorganização e reconstrução do movimento
dos trabalhadores numa nova base, a do anti-capitalismo e do
eco-socialismo.
4. Queremos
estar envolvidos nesta reorganização de forma a criar
uma nova esquerda capaz de enfrentar os desafios deste século
e reconstruir o movimento dos trabalhadores, as suas estruturas, a
sua consciência de classe, a sua independência em relação
às burguesias a nível político e cultural.
- Uma
esquerda anti-capitalista, internacionalista, ecologista e feminista;
- Uma esquerda
que seja claramente alternativa à social-democracia e aos seus
governos;
- Uma esquerda
que lute por um século XXI socialista, auto-gerido e
democrático, e que tenha um programa coerente para lá
chegar;
- Uma
esquerda que tenha consciência que para atingir este objectivo
terá que romper com o capitalismo e com a sua lógica e,
consequentemente, não poderá governar com aqueles com
quem pretende romper;
- Uma esquerda
pluralista enraizada nos movimentos sociais e nos locais de trabalho
que integre a combatividade dos trabalhadores, as lutas para a
libertação e emancipação das mulheres e
LGBT, e as lutas ecologistas;
- Uma esquerda
não-institucional que baseie a sua estratégia na
auto-organização do proletariado e dos oprimidos com
base no principio de que a emancipação dos
trabalhadores é uma tarefa dos próprios trabalhadores;
- Uma
esquerda que integre novos sectores sociais, novos temas como os
expressos pelo Fórum Social Mundial em Belém, e acima
de tudo as novas gerações, pois não é
possível fazer coisas novas com material velho;
- Uma
esquerda internacionalista e anti-imperialista que lute contra a
Guerra e a dominação e que abra caminho para uma
internacional democrática de massas;
- Uma
esquerda capaz de fazer a ligação entre a herança
preciosa do marxismo critico e revolucionário com os
desenvolvimentos no feminismo, eco-socialismo e movimentos indígenas
da América Latina.
- Uma esquerda
independente e de luta de classes que lute pela mais ampla unidade na
acção contra crise e pelos direitos, conquistas e
aspirações dos trabalhadores e todos os oprimidos.
5. Esta é
a aspiração na qual os problemas da construção
da Quarta Internacional (QI), de novos partidos anti-capitalistas e
de novas correntes internacionais são colocados. Nós
expressámo-lo de forma própria, de 1992 para cá,
nos últimos dois congressos, com o tríptico "Novo
período, novo programa, novo partido", desenvolvido em
documentos da Internacional. Confirmamos o essencial das nossas
escolhas do último congresso Mundial de 2003 no que concerne à
construção de partidos anti-capitalistas amplos. A QI
confronta-se, de forma geral, com uma nova fase. Militantes marxistas
revolucionários, núcleos, correntes e organizações
devem colocar a questão da construção de
formações politicas anti-capitalistas, revolucionárias,
com a perspectiva de estabelecerem uma nova representação
politica independente da classe trabalhadora. Tal aplica-se ao nível
de cada país e ao nível internacional. Com base na
experiência da luta de classes, do desenvolvimento do movimento
anti-globalização, de lutas defensivas e mobilizações
contra a guerra ao longo dos últimos dez anos, e em particular
as lições retiradas da evolução do PT
brasileiro e da Refundação Comunista em Itália e
dos debates da esquerda anti-liberal francesa, os marxistas
revolucionários envolveram-se em anos recentes na construção
do PSOL no Brasil, da Esquerda Critica em Itália, no novo
partido anti-capitalista em França, no Respect em Inglaterra.
Dentro desta perspectiva continuamos a construir as experiências
do Bloco de Esquerda em Portugal, e da Aliança Vermelha e
Verde na Dinamarca. O objectivo em comum, através de caminhos
diferentes, é o de construir partidos anti-capitalistas
amplos. Não se trata apenas de recuperar as velhas fórmulas
de reagrupamento de correntes revolucionárias. A ambição
é de juntar forças para além das simplesmente
revolucionárias. Estas podem ser um apoio no processo de
junção de forças desde que sejam claramente pela
construção de partidos anti-capitalistas. Apesar de não
existir qualquer modelo, dado que cada processo de convergência
tem em consideração especificidades nacionais e
relações de forças, o nosso objectivo deve ser o
de construir partidos anti-capitalistas amplos, independentes da
social-democracia e do centro esquerda. Formações que
rejeitem qualquer política de participação ou de
apoio a governos de colaboração de classe, hoje em dia
governos com a social-democracia e o centro-esquerda. O que sabemos
das experiências de diferenciação e reorganização
na Africa e Ásia aponta no mesmo sentido. É através
deste processo que podemos fazer novos avanços. Esta é
a questão que deve formar o enquadramento do próximo
congresso da QI.
6. É
neste quadro que devemos a abordar a questão da relação
entre a construção da QI e a politica de convergência
anti-capitalista ao nível nacional, continental e
internacional. Devemos discutir como reforçar e transformar a
QI de forma a torná-la num instrumento efectivo na perspectiva
de um novo reagrupamento internacional. É algo que já
começámos a fazer, com resultados limitados, deve ser
admitido, dentro do quadro das conferências da esquerda
anti-capitalista e em outras conferências internacionais.
Participámos, a nível internacional, com base nesta
perspectiva politica, em muitas conferências e iniciativas de
convergência internacional: a constituição da
Esquerda Anti-capitalista Europeia, com o Bloco de Esquerda, a
Aliança Vermelha e Verde Dinamarquesa e o Partido Socialista
Escocês. Trabalhámos com organizações como
o SWP britânico. Outros partidos - mesmo reformistas de
esquerda que tiveram num momento ou outro uma evolução
"para a esquerda", como a Refundação Comunista em
Itália ou o Synaspismos, também participaram nessas
conferências. Organizámos igualmente conferências
internacionais de organizações anti-capitalistas e
revolucionárias, por ocasião dos Fora Sociais Mundiais
em Mumbai na Índia e em Porto Alegre no Brasil. A este nível,
criámos laços de solidariedade com o PSOL brasileiro no
seu processo de ruptura com o PT de Lula. Apoiámos os esforços
dos nossos camaradas italianos na construção de uma
alternativa anti-capitalista às políticas da Refundação
Comunista em Itália. Estes poucos elementos mostram o tipo de
orientação que queremos implementar. As diferentes
conferências deste ano, como as de Paris e de Belém,
mostram a necessidade e a possibilidade de acção
conjunta e discussão por um grande número de
organizações e correntes da esquerda anti-capitalista
na Europa. Torna-se actualmente necessário continuar a
politica de reuniões abertas e de conferências sobre
pensamento estratégico e programático e de acção
conjunta através de campanhas e iniciativas de mobilização
internacional.
7. A QI e as
suas secções têm assumido e continuam a assumir
um papel vital na defesa, promoção e implementação
de um programa de reivindicações que são
simultaneamente imediatas e transitórias no sentido do
socialismo; uma política de frente unida que visa a
mobilização de massas dos trabalhadores e das suas
organizações; uma politica de unidade da classe
trabalhadora e de independência face a qualquer tipo de aliança
estratégica com as burguesias nacionais; oposição
a qualquer participação em governos em países
capitalistas avançados que se dediquem meramente a gerir o
Estado e a economia capitalista tendo abandonado qualquer
internacionalismo.
A QI tem
assumido e continuará a assumir um papel funcional na
manutenção da história da corrente marxista
revolucionária, "para compreender o mundo", para
confrontar as análises e experiências dos militantes,
correntes e organizações revolucionárias, e para
juntar organizações, correntes e militantes que
partilhem da mesma visão estratégica e da mesma escolha
de convergências amplas em bases revolucionárias. A
existência dessa estrutura internacional que torna possível
"pensar sobre a política" é um bem indispensável
para a intervenção dos revolucionários. Um
internacionalismo consistente deve colocar a questão de um
enquadramento internacional. No entanto, a QI, por razões
históricas, já por si analisadas, não possui a
legitimidade para representar ou ser a nova Internacional de massas
de que necessitamos. Quando se trata da questão de dar um
passo em frente na junção de forças
anti-capitalistas, estas novas organizações, em
particular na Europa e América Latina, não pretendem
aderir a esta ou aquela corrente identificada com a QI, qualquer que
seja o ponto de referência - as correntes Morenistas,
Lambertistas, SWP ou outras variantes do Trotskismo. Note-se que, no
entanto, uma diferença substancial entre a QI e todas essas
tendências, para além das posições
politicas, é o facto de ser baseada na coordenação
democrática das secções e militantes, enquanto
que as outras tendências internacionais são
"facções-internacionais" ou coordenações
baseadas em "partidos-facções" que não
respeitam as regras de funcionamento democrático, em
particular o direito de tendência. Os limites destas correntes
"trotskistas" internacionais, bem como de correntes ex-moistas e
ex-comunistas, impede-nos de avançar na cristalização
de novas convergências internacionais. Quanto ao apelo de
Chavez e de outros por novas Internacionais, estes não se
situam no mesmo terreno de discussão. Colocam de forma óbvia
problemas políticos fundamentais, mas também o da
relação entre Estados e organizações.
Na presente
relação de forças, a política de avançar
no sentido de uma Internacional de massas deve tomar o caminho da
realização de conferências abertas e periódicas
sobre questões políticas centrais - actividade, temas
específicos ou discussões - que tornem possível
a convergência e a emergência de pólos
anti-capitalistas e revolucionários. Nos novos partidos
anti-capitalistas que se possam formar nos próximos anos, e
que exprimem a fase actual de combatividade, experiência e
consciência dos sectores mais comprometidos com a procura de
uma alternativa anti-capitalista, a questão de uma nova
internacional existe e continuará a ser colocada. Nós
agimos e continuaremos a agir de forma a que esta questão não
seja colocada em termos de escolhas ideológicas ou históricas,
que poderão gerar divisões e cisões. Deve ser
colocada a um duplo nível, por um lado em termos de real
convergência política nas tarefas de intervenção
internacional, no pluralismo de novas formações
políticas, que deverá poder juntar correntes de
diversas origens: trotskistas de diversas origens, libertários,
sindicalistas revolucionários, nacionalistas revolucionários,
reformistas de esquerda. Em termos gerais, quando se deram passos
concretos no sentido da criação de novos partidos, nós
propusemos que o novo partido anti-capitalista funcionasse com o
direito de tendência e de corrente, e onde os apoiantes da QI
nesses partidos se pudessem organizar em moldes a definir, de acordo
com a situação específica de cada partido. Os
nossos camaradas portugueses no Bloco de Esquerda, os nossos
camaradas dinamarqueses na Aliança Vermelha e Verde, os nossos
camaradas brasileiros no PSOL, organizam-se, de formas diferentes,
como uma corrente da QI ou como correntes de luta de classes em
outras tendências políticas.
8. Somos
confrontados, neste movimento, com dessincronizações
entre a construção de partidos a nível nacional
e a construção de novos agrupamentos internacionais.
Podem surgir, no momento actual ou nos próximos anos, novos
partidos anti-capitalistas em diversos países, mas a
emergência de uma nova força internacional, ou mais do
que isso, de uma nova Internacional, não é neste
momento previsível. Uma nova Internacional será o
resultado de um longo período de acção conjunta
e entendimento em comum sobre os eventos e tarefas para o derrube do
capitalismo. A afirmação de uma politica de
convergência internacional, confirma as responsabilidades
acrescidas da QI, e consequentemente a necessidade do seu reforço.
Podemos e procuramos representar um enquadramento organizacional que
seja atractivo e, democrático, para organizações
revolucionárias que partilhem o mesmo projecto politico. É
nesta dinâmica em que se situam os nossos camaradas Filipinos,
Paquistaneses e Russos, tal pode ser amanha o caso, por exemplo, de
camaradas Polacos e Malianos.
9. Nós
temos, de facto, um papel específico que é reconhecido
por um conjunto de correntes políticas. Podemos ser os únicos
que conseguem fazer convergir forças politicas de diversas
origens. É o que por exemplo camaradas Venezuelanos de
correntes de esquerda do processo Bolivariano dizem sobre nós.
É também o caso na Europa, no quadro das relações
da Esquerda Anti-capitalista Europeia e de outras correntes. Por
isso, o próximo congresso mundial deverá constituir um
passo importante para o encontro entre todas essas forças.
Este será um congresso da Quarta Internacional e não se
verificará qualquer crescimento organizacional nesta fase. Mas
queremos que a Quarta Internacional desempenhe o papel de
"facilitadora" da convergência com base na perspectiva de
novos agrupamentos internacionais.
10.
Consequentemente, de forma a nos podermos fortalecer e continuar a
desempenhar este papel, devem ser reforçadas todas as
instâncias da Quarta: encontros regulares, comités
internacionais, viagens, trocas entre secções. É
necessário reforçar a actividade que a Internacional
desenvolveu nos últimos anos: funcionamento regular dos
organismos de direcção da Quarta Internacional - o
Bureau, os encontros do Bureau Politico Europeu. Os encontros do
Comité Internacional (CI), que se realizaram anualmente,
representando cerca de 30 organizações, devem assegurar
a continuidade organizacional da nossa corrente internacional.
O Acampamento de
Jovens, que se tem realizado anualmente juntando cerca de 500
camaradas, deve continuar a ter um papel central no trabalho de
juventude das nossas secções europeias.
O Instituto
Educacional assumiu uma nova dinâmica. Necessitamos actualmente
de assegurar que as escolas e os seminários se realizem, e
assegurar o equilíbrio na sua gestão e organização
A QI deve também abrir os seus encontros e o seu instituto. O
instituto assume um papel central, não apenas para a educação
dos quadros das secções, mas também para
contribuir para as relações entre correntes e diversas
experiências internacionais. O seminário sobre as
alterações climáticas, aberto a um conjunto de
especialistas internacionais, constituiu um bom exemplo. Indica, tal
como outros encontros, a necessidade e a possibilidade de sermos um
cadinho para elaboração programática em questões
essenciais com que as correntes anti-capitalistas e revolucionárias
lidam neste momento. Os encontros de mulheres, juventude e
sindicalistas devem ser igualmente abertos a outros, e transformados
com base nesta perspectiva. Resumindo, no próximo período,
e com uma orientação dirigida para a construção
de uma nova força internacional ou uma nova Internacional, a
QI, como organização internacional, representa um
activo essencial para os marxistas revolucionários.
A Quarta
Internacional - uma organização internacional que
luta pela revolução socialista - é composta
por secções, de militantes que aceitam e aplicam os
seus princípios e programa. Organizada em diferentes secções
nacionais, unidas numa organização mundial única
que age em conjunto nas principais questões políticas,
e que discute livremente respeitando as regras da democracia.
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