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Escrito por Daniel Tanuro
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Um ano após Copenhaga, os planos apresentados fazem a ONU prever um aumento da temperatura média global de 4ºC até 2100. E são os países mais ricos e poluidores os que menos farão para controlar o problema, enquanto os países em desenvolvimento cumprem as metas máximas, arcando com o maior esforço. Artigo de Daniel Tanuro.
Lembrança: de acordo com o GIEC, para não exceder 2°C do aumento da temperatura do globo, em 2100, os países desenvolvidos devem reduzir as suas emissões de 80 para 95% até 2050 (em relação a 1990), enquanto os países ditos "em desenvolvimento" devem tomar medidas de modo que as suas emissões diminuam de 15 para 30% em relação às projecções «business as usual» (BAU). Como estas projecções são baseadas em modelos climáticos que não integram os fenómenos não lineares (por exemplo, a desintegração das calotes glaciaires), o princípio da precaução recomenda a escolha de objectivos mais drásticos.
O chamado "acordo" concluído nos bastidores de Copenhaga por iniciativa dos Estados Unidos, China, Índia e África do Sul, ao qual aderiu a União Europeia e o Japão, estipulava que cada país comunicaria o seu "plano clima" ao secretariado da Convenção das Nações Unidas sobre o Clima (UNFCCC). A maior parte dos países fez isso. Com base nas informações comunicadas, considerou-se que o aumento de temperatura, até 2100, aproximar-se-ia de 4°C... Uma catástrofe!
Uma outra informação interessante a tirar destes planos é a ventilação dos esforços entre os países capitalistas desenvolvidos e os países "em vias de desenvolvimento": os primeiros, comprometem-se globalmente em reduzir as suas emissões em cerca de 15%; os segundos, prevêem que as suas emissões se desviarão 25% em relação às previsões BAU. Noutros termos: o Sul realiza quase o máximo do esforço necessário, enquanto o Norte não atinge sequer o mínimo, enquanto a sua responsabilidade histórica, em relação ao aquecimento, é esmagadora.
O detalhe dos compromissos dos diferentes países, até 2020, é igualmente muito instrutivo. Os EUA, responsáveis por 14,3% das emissões, comunicaram o objectivo de reduzir 17%, em relação a 2005 (enquanto que as suas emissões aumentaram 30%, desde 1990!). Não será realizado, o Senado não adoptou a lei sobre o clima proposta por Barack Obama. O Canadá também se compromete em reduzir 17%. A Austrália comunicou um vago objectivo, compreendido entre 5 e 25% de redução. A União Europeia, como se sabe, compromete-se em 20%. O único país desenvolvido a respeitar - com precisão - os números do GIEC é o Japão, que se compromete em reduzir 25%.
A imagem é bem diferente do lado dos países do Sul. China: 40 à 45% de redução pela melhoria da eficiência energética. Brasil: 36 à 39%. Índia: 20 à 25%. Indonésia: 26%... Certamente, tratam-se aqui de reduções relativas, enquanto os países desenvolvidos devem reduzir absolutamente as suas emissões. Não obstante, a constatação é esta: os compromissos dos países ditos "em desenvolvimento" estão de acordo com as medidas a tomar para não perturbar demasiado o clima, mas os dos países desenvolvidos não estão.
Daniel Tanuro é engenheiro agrónomo, ambientalista ecossocialista e jornalista. Escreve para "International Viewpoin"t e "La gauche", (jornal da LCR-SAP, secção belga da IVª Internacional). Tradução: António José André |